Esse povo não se define. Todos dizem que adolescência é um momento de mudanças radicais, eu humildemente concordo em parte. A adolescência é um momento de definição, de descobrimento. É na adolescência que os homossexuais, mesmo não admitindo, se descobrem. É na adolescência que sabemos que tipo de música queremos que nossos filhos ouçam. E nela descobrimos o sexo e definimos como gostamos, aonde gostamos ou se gostamos.

Talvez seja arrependimento, mas quando em um ano, metade de amigos antigos se transformam em evangélicos praticantes, não posso deixar de pensar no que está acontecendo. O que está acontecendo com fazer o que gosta? O que está acontecendo com não ligar para o final? Na verdade isso nunca aconteceu, todo mundo liga pro final. Quer dizer, quase todo mundo. Por um momento, lá pelos 15 e 16 anos de idade nos achamos invencíveis e o final é a última coisa em que pensamos. Somos donos de tudo o que vemos e não ligamos para o que pensam – pelo menos é o que queremos que os outros acreditem. Não vou mentir, ligo para o que os outros pensam de mim, mas mesmo assim tento ao máximo fazer com que isso não influencie em minhas escolhas. Não começaria a ir na igreja sete vezes por semana porque uma amiga da minha mãe pensa que bebo demais.

Quase sempre tem um gatilho, algo que dispara essa mudança tão radical. Pode ser um problema na família, de saúde ou de estrutura. Pode ser um problema com amigos, algo que você sempre fez, mas que dessa vez chateou alguém que você amava muito e essa pessoa resolveu te esquecer completamente. Ás vezes pode ser o amor, sim o amor, ou a paixão quem sabe, fazemos coisas imbecis por esses sentimentos que nem se eu pensasse por toda minha vida conseguiria explicar ao certo. O amor pode nos levar a ser o melhor para aquele que amamos, mesmo se isso não for o melhor para nós. E a paixão, bem a paixão ás vezes pode ser até mais arrebatadora no começo, pode ser uma mudança sexual, uma mudança de cidade ou até quem sabe uma pequena mudança de estilo. O que pode se ter certeza é que sempre será uma mudança sem muitas considerações, a paixão nos cega e não conseguimos ver o passado, o passado que foi um marco em nossa vida, e o deixamos pra trás como se não houvesse significado nada. A escolha de mudar pode ser boa, mas quase sempre é repudiada meses, ou na melhor das hipóteses, anos depois, e perdendo completamente o significado. Aí é quando relembramos do passado, lembramos o que fomos e percebemos que isso escapou entre nossos dedos, não podemos voltar ao que fomos, temos que mudar outra vez e nos adaptar.

Não me leve a mal, não estou dizendo que não mudei. Como disse em outros posts, eu não sou mais aquele garoto inocente que vê um amigo em todos os rostos. Hoje sou um questionador, assim que me definiria se pedissem. Mas o fundamental eu não mudei, eu ainda tenho o mesmo coração e penso da mesma maneira, só sou um pouco mais inteligente. Não nego que a mudança muitas vezes seja necessária, mas afirmo que mudar esquecendo o que ficou é burrice. Deixemos nosso passado intacto de alguma forma, porque um dia voltaremos, sempre voltamos.